“Nunca deixei que o período que passei na escola interferisse na minha educação.”
Esta citação de Mark Twain, foi extraída da obra de Claiton da Costa, de Porto Alegre, remeteu-me a várias indagações sobre o que é escola, sua função social e sobre o que é educação.
No mundo globalizado em que vivemos, em que tudo é rápido, em que a leitura, a escrita e os cálculos são pré-requisitos essenciais para que o indivíduo esteja “educado” ou apto para viver na sociedade, deve-se entender que educação e escola são conceitos distintos? O período escolar não é um período de promoção da educação? O que é educação, então?
Se procurarmos na literatura, muitos serão os conceitos difundidos e apregoados. Mas, discutiremos educação sobre a ótica do autor.
Em sua perspectiva, percebe-se que a escola é o lugar para o conhecimento científico, para a aprendizagem sistematizada de conteúdos historicamente construídos e, reproduzidos cotidiana e rotineiramente.
Pode-se pensar, também, sobre a educação construída com a junção dos fatores sociais, psicológicos, afetivos e éticos, e que o indivíduo, ao ingressar na escola, acaba por tê-los menosprezados ou ignorados. Infelizmente!
A escola prioriza os fatores cognitivos em oposição aos citados e tantos outros; desconhece ou desconsidera que a pessoa é formada por eles e, que as situações vivenciadas em todos os ambientes contribuem para que a educação aconteça.
Que os conhecimentos escolares não contemplam o ser integralmente, já o sabemos.
A escola, ainda, percebe o indivíduo de uma forma fragmentada, ora trabalhando aspectos cognitivos, ora sociais, em disciplinas estanques dissociadas do conhecimento de mundo ou ministradas sem significância. Quantas vezes, vemos assuntos e/ou conteúdos que não sabemos onde os usaremos.
Lembro-me de um aluno que passava de série em série, e todos os professores relatavam: hiperativo, com déficit de atenção, sem limites, importunava o bom andamento das aulas com perguntas às quais tais professores não sabiam respondê-las, além de totalmente fora do momento na sala de aula...
Qual não foi minha surpresa quando este aluno chegou a mim! Menino brilhante, participativo, questionador, crítico. Muito diferente do estigma que lhe foi imposto.
A cada conteúdo apresentado, ele só perguntava: “Por que devo aprender isto?” ou “Por que você está ensinando isto?”
Então, ele recebia a resposta sobre a relevância do assunto apresentado e participava ativamente das aulas, com questionamentos pertinentes ou colaborava com fatos ocorridos que poderiam ser colocados em pauta, tornando a aprendizagem significativa. A aula ficava rica!
Este aluno não permitiu que a escola atrapalhasse sua educação... Ele fez mais: uniu o que já havia sido construído aos conhecimentos escolares. Nem mais este, nem mais aquele.
Então, pergunto: por que é tão difícil esta união? Por que não se percebe o que o aluno traz para, a partir daí promover a aprendizagem, melhorando a qualidade da educação, bem como criar e manter uma interação entre os indivíduos onde o respeito e harmonia estejam presentes.
Pedagoga com ênfase nos anos iniciais do Ensino Fundamental, Especialista em Gestão Escolar Administrativa e Pedagógica, Especialista em Intervenção Cognitiva e Aprendizagem Mediada pelo ICELP-The International Center for the Enhancement of Learning Potential de Jerusalém, Mediadora do Programa de Enriquecimento Instrumental - PEI 1,2 e 3, Orientadora Pedagógica, Professora, Colunista de Jornal e Pesquisadora.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
quarta-feira, 27 de maio de 2009
A responsabilidade dos valores: a quem compete?
A responsabilidade dos valores: a quem compete?
A percepção da existência do outro é algo imprescindível para uma convivência saudável.
Buscamos sempre inferir no outro a nossa existência, o nosso desejo, o nosso saber... Afinal, ele precisa entender o que pensamos e sentimos!!
Na contemporaneidade o que se espera é a tolerância e o respeito pelo outro; é aceitá-lo com suas virtudes ou não, suas vontades, seus desejos, seus saberes e assim, fomentar uma troca.
Vivemos basicamente de trocas: de palavras, de olhares, de gestos, de significados e, de tolerância. Tolerar ( do latim tolerare, sofrer, suportar ) não é algo negativo, que nos remete ao sofrimento. Pelo contrário, tolerar é a percepção do outro e, conseqüentemente, a sua por nós.
A tolerância é uma virtude que nos permite estabelecer relações sociais pautadas no respeito e confiança, não molestando ou agredindo quem se encontra ao nosso lado, mesmo apresentando pensamentos que diferem dos nossos.
É através dela que focamos a ação produzida e não o sujeito que a produz, ouvimos e respeitamos sua posição de uma forma assertiva. Enfim, aprendemos a conviver!
E é no primeiro grupo social, a família, que se começa a introduzir o conceito desta virtude, propondo aceitação às diferenças, aos pensamentos e ações, ouvindo e interagindo com os demais, tolerando e sendo tolerados por eles.
Mas, percebemos que as famílias estão desestruturadas no quesito “valores”, por vários motivos: divórcio, instabilidade ou brigas conjugais, falta de quantidade e qualidade do tempo destas com seus filhos, despreparo emocional, falta de autoridade... E, assim, acabam por incumbir à escola a missão de educar seus filhos, dar limites, afeto, atenção e educação sistematizada, preparando-os para viver sua cidadania de forma estruturada e feliz.
Com tal cenário familiar, os alunos se encontram sem referencial, sem base e sem limites, agredindo professores e amigos de classe. Por outro lado, os pais se encontram “perdidos” por não saberem o que fazer para que seus filhos vivam e convivam bem, ou onde “erraram” na formação destes, visto que trabalham muito e dão muitos bens materiais.
Materialmente, as crianças têm tudo o que necessitam para crescerem fisicamente saudáveis, mas psicológica e socialmente ainda falta. Ainda faltam momentos familiares de ouvir, de conversar, de expôr idéias, sonhos e valores, tão fundamentais para uma convivência harmoniosa e feliz.
Compete às famílias em conjunto com a escola, a formação do aluno para conviver num mundo em que a tolerância, o respeito mútuo, a confiança, a solidariedade se façam presentes.
Para que estes valores se estabeleçam nas situações sociais cotidianas, é necessário que a quantidade do tempo que a famílias passem com seus filhos sejam de qualidade, de afinidade, de diálogo; que estas supram a carência emocional com que nossas crianças convivem neste novo tempo, orientando e escutando, bem como firmar parceria com a escola a fim de promover a formação destas crianças com base nos valores morais, éticos e de convivência saudável.
A percepção da existência do outro é algo imprescindível para uma convivência saudável.
Buscamos sempre inferir no outro a nossa existência, o nosso desejo, o nosso saber... Afinal, ele precisa entender o que pensamos e sentimos!!
Na contemporaneidade o que se espera é a tolerância e o respeito pelo outro; é aceitá-lo com suas virtudes ou não, suas vontades, seus desejos, seus saberes e assim, fomentar uma troca.
Vivemos basicamente de trocas: de palavras, de olhares, de gestos, de significados e, de tolerância. Tolerar ( do latim tolerare, sofrer, suportar ) não é algo negativo, que nos remete ao sofrimento. Pelo contrário, tolerar é a percepção do outro e, conseqüentemente, a sua por nós.
A tolerância é uma virtude que nos permite estabelecer relações sociais pautadas no respeito e confiança, não molestando ou agredindo quem se encontra ao nosso lado, mesmo apresentando pensamentos que diferem dos nossos.
É através dela que focamos a ação produzida e não o sujeito que a produz, ouvimos e respeitamos sua posição de uma forma assertiva. Enfim, aprendemos a conviver!
E é no primeiro grupo social, a família, que se começa a introduzir o conceito desta virtude, propondo aceitação às diferenças, aos pensamentos e ações, ouvindo e interagindo com os demais, tolerando e sendo tolerados por eles.
Mas, percebemos que as famílias estão desestruturadas no quesito “valores”, por vários motivos: divórcio, instabilidade ou brigas conjugais, falta de quantidade e qualidade do tempo destas com seus filhos, despreparo emocional, falta de autoridade... E, assim, acabam por incumbir à escola a missão de educar seus filhos, dar limites, afeto, atenção e educação sistematizada, preparando-os para viver sua cidadania de forma estruturada e feliz.
Com tal cenário familiar, os alunos se encontram sem referencial, sem base e sem limites, agredindo professores e amigos de classe. Por outro lado, os pais se encontram “perdidos” por não saberem o que fazer para que seus filhos vivam e convivam bem, ou onde “erraram” na formação destes, visto que trabalham muito e dão muitos bens materiais.
Materialmente, as crianças têm tudo o que necessitam para crescerem fisicamente saudáveis, mas psicológica e socialmente ainda falta. Ainda faltam momentos familiares de ouvir, de conversar, de expôr idéias, sonhos e valores, tão fundamentais para uma convivência harmoniosa e feliz.
Compete às famílias em conjunto com a escola, a formação do aluno para conviver num mundo em que a tolerância, o respeito mútuo, a confiança, a solidariedade se façam presentes.
Para que estes valores se estabeleçam nas situações sociais cotidianas, é necessário que a quantidade do tempo que a famílias passem com seus filhos sejam de qualidade, de afinidade, de diálogo; que estas supram a carência emocional com que nossas crianças convivem neste novo tempo, orientando e escutando, bem como firmar parceria com a escola a fim de promover a formação destas crianças com base nos valores morais, éticos e de convivência saudável.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
A EDUCAÇÃO NA SOCIEDADE DE INFORMAÇÃO
“No meu tempo não era assim.”
“Esta juventude está perdida.”
“Todos sentados e em silêncio.”
“Já não sei o que fazer para chamar a atenção deles.”
Estas são falas de professores ao longo do tempo ao se depararem com suas respectivas salas de aula e encontrarem seus alunos de uma maneira que não era esperada: falantes, agitados, andando, movimentando...
O alunado mudou, lógico, pois o mundo mudou.
A sociedade de informação ampliou sua abrangência tão rapidamente quanto a velocidade da veiculação das notícias. Atualmente, um acontecimento no Japão, Rússia, Turquia e até na Lua chega até nós em milésimos de segundos!
Estamos num novo tempo, o tempo do Orkut, do MSN, dos Blogs, dos e-mails, da banda larga...
Com toda certeza, a docência de tempos atrás não é a mesma de hoje, o acesso à informática e aos meios de comunicação de massa não acontecia com tanta facilidade.
A todo momento, os alunos são seduzidos com os apelos da mídia: modo de vestir, andar, falar, costumes, gírias, comportamentos e tiques; e o papel da educação não é ( e nem tem como ) impedir o acesso a tudo isto, mas fornecer ao aluno subsídios para que ele possa filtrar o que é realmente relevante para seu crescimento. E, neste quesito, a escola perde, pois esta cobra memorização e “decoreba” e, procura formar um sujeito “reprodutivo” totalmente descontextualizado da realidade.
A escola se apresenta atada à metodologias que não promovem a motivação, ao querer saber mais, ao gosto pela descoberta; esquecendo-se de ajudar na formação de sujeitos críticos, atuantes e autônomos que selecionam o que querem assistir e falar.
A escola preza os conteúdos culturalmente pré-determinados, e não recebe nem valoriza o conhecimento de mundo que o aluno traz, para, a partir dele, ajudar este aluno em seu processo de aprendizagem, interagindo e mediando a construção de seu conhecimento.
Entretanto, para que a escola tenha êxito nesta nova época, os alunos devem ser estimulados a “aprender a aprender”, a analisar o que é recebido e avaliar sua relevância. Neste enfoque, o papel do professor é de estimular a busca da informação, tratá-la e orientar sobre onde e como utilizá-la. E, quando há na relação um vínculo afetivo estabelecido entre os atores participantes, professor e aluno, este recebe sentimentos de segurança, confiança e coragem e se arrisca a socializar suas descobertas e dúvidas com o professor e os demais membros do grupo, para juntos, decidirem o que é relevante em sua formação.
flávia sampaio
“Esta juventude está perdida.”
“Todos sentados e em silêncio.”
“Já não sei o que fazer para chamar a atenção deles.”
Estas são falas de professores ao longo do tempo ao se depararem com suas respectivas salas de aula e encontrarem seus alunos de uma maneira que não era esperada: falantes, agitados, andando, movimentando...
O alunado mudou, lógico, pois o mundo mudou.
A sociedade de informação ampliou sua abrangência tão rapidamente quanto a velocidade da veiculação das notícias. Atualmente, um acontecimento no Japão, Rússia, Turquia e até na Lua chega até nós em milésimos de segundos!
Estamos num novo tempo, o tempo do Orkut, do MSN, dos Blogs, dos e-mails, da banda larga...
Com toda certeza, a docência de tempos atrás não é a mesma de hoje, o acesso à informática e aos meios de comunicação de massa não acontecia com tanta facilidade.
A todo momento, os alunos são seduzidos com os apelos da mídia: modo de vestir, andar, falar, costumes, gírias, comportamentos e tiques; e o papel da educação não é ( e nem tem como ) impedir o acesso a tudo isto, mas fornecer ao aluno subsídios para que ele possa filtrar o que é realmente relevante para seu crescimento. E, neste quesito, a escola perde, pois esta cobra memorização e “decoreba” e, procura formar um sujeito “reprodutivo” totalmente descontextualizado da realidade.
A escola se apresenta atada à metodologias que não promovem a motivação, ao querer saber mais, ao gosto pela descoberta; esquecendo-se de ajudar na formação de sujeitos críticos, atuantes e autônomos que selecionam o que querem assistir e falar.
A escola preza os conteúdos culturalmente pré-determinados, e não recebe nem valoriza o conhecimento de mundo que o aluno traz, para, a partir dele, ajudar este aluno em seu processo de aprendizagem, interagindo e mediando a construção de seu conhecimento.
Entretanto, para que a escola tenha êxito nesta nova época, os alunos devem ser estimulados a “aprender a aprender”, a analisar o que é recebido e avaliar sua relevância. Neste enfoque, o papel do professor é de estimular a busca da informação, tratá-la e orientar sobre onde e como utilizá-la. E, quando há na relação um vínculo afetivo estabelecido entre os atores participantes, professor e aluno, este recebe sentimentos de segurança, confiança e coragem e se arrisca a socializar suas descobertas e dúvidas com o professor e os demais membros do grupo, para juntos, decidirem o que é relevante em sua formação.
flávia sampaio
sábado, 25 de abril de 2009
A necessidade da intenção
Tenho identificado no meio docente uma necessidade urgente de intenção. Não digo a intenção de desconversar algo, ou desculpar-se. É o “Foi sem intenção!” ou o “Foi sem querer!”
Na interação, muitas vezes ocorrem fatos que, depois de analisados, deveriam ser evitados, mas se não o foram, devem, realmente, ser desculpados. Aí entra o “Foi sem querer, desculpa!”
Não é desse tipo de intenção a que me refiro. Refiro-me à intencionalidade docente com a análise, proposta e escolha de objetivos pertinentes a sua turma, ao seu aluno. Essa intencionalidade baseia-se na busca de atividades que irão ajudar os alunos a desenvolverem habilidades ou competências.
A intencionalidade a que me refiro é a do professor pautar sua prática negando a reprodução mecânica de atividades, sem intenção, sem objetivos, sem critérios.
É necessário e urgente que o professor intencione sua prática, analise-a e responda a questões como:
“O que quero desenvolver com esse conteúdo?”
“Esta atividade ajudará em que meu aluno?”
“Quais competências e habilidades serão desenvolvidas com este exercício?”
Diante das respostas às perguntas acima, o professor terá uma intenção sobre a atividade que será desenvolvida e, com toda a certeza, o aluno participará mais em aula, construindo e reconstruindo seu conhecimento acerca do que foi estudado.
O que se percebe é que a reprodução de atividades muitas vezes deixa os alunos desmotivados, pois já as viram em outras situações e, com isso, não há desafio, não há novidade.
Lembro-me de uma conversa com uma professora muito querida, em uma das escolas em que trabalho, que me perguntou por que se deve evitar o “arme e efetue” com os alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Ressaltei que, para todas as atividades propostas em sala de aula, deve-se ter uma intenção. Qual seria a intenção ao passar o “arme e efetue”? Muito provavelmente, o objetivo esperado seria que o aluno arme os numerais e resolva as operações armadas. Não há problema nisso. O problema é a quantidade de vezes que essa atividade, com esse mesmo enunciado, aparece nos quadros-negros ou brancos de nossas escolas. O problema é o professor propor tal atividade somente por não ter mais o que fazer, o que passar e não saber o que se espera dela. Perguntei por que não propor situações-problema, em que há um desafio, pois o aluno precisa ler, interpretar e resolvê-las?
Portanto, reforço que, quando se tem uma intenção, o professor escolhe atividades qualitativas que estão de acordo com seu aluno, ajudando-o a desenvolver suas habilidades e competências.
FLÁVIA SAMPAIO
Na interação, muitas vezes ocorrem fatos que, depois de analisados, deveriam ser evitados, mas se não o foram, devem, realmente, ser desculpados. Aí entra o “Foi sem querer, desculpa!”
Não é desse tipo de intenção a que me refiro. Refiro-me à intencionalidade docente com a análise, proposta e escolha de objetivos pertinentes a sua turma, ao seu aluno. Essa intencionalidade baseia-se na busca de atividades que irão ajudar os alunos a desenvolverem habilidades ou competências.
A intencionalidade a que me refiro é a do professor pautar sua prática negando a reprodução mecânica de atividades, sem intenção, sem objetivos, sem critérios.
É necessário e urgente que o professor intencione sua prática, analise-a e responda a questões como:
“O que quero desenvolver com esse conteúdo?”
“Esta atividade ajudará em que meu aluno?”
“Quais competências e habilidades serão desenvolvidas com este exercício?”
Diante das respostas às perguntas acima, o professor terá uma intenção sobre a atividade que será desenvolvida e, com toda a certeza, o aluno participará mais em aula, construindo e reconstruindo seu conhecimento acerca do que foi estudado.
O que se percebe é que a reprodução de atividades muitas vezes deixa os alunos desmotivados, pois já as viram em outras situações e, com isso, não há desafio, não há novidade.
Lembro-me de uma conversa com uma professora muito querida, em uma das escolas em que trabalho, que me perguntou por que se deve evitar o “arme e efetue” com os alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Ressaltei que, para todas as atividades propostas em sala de aula, deve-se ter uma intenção. Qual seria a intenção ao passar o “arme e efetue”? Muito provavelmente, o objetivo esperado seria que o aluno arme os numerais e resolva as operações armadas. Não há problema nisso. O problema é a quantidade de vezes que essa atividade, com esse mesmo enunciado, aparece nos quadros-negros ou brancos de nossas escolas. O problema é o professor propor tal atividade somente por não ter mais o que fazer, o que passar e não saber o que se espera dela. Perguntei por que não propor situações-problema, em que há um desafio, pois o aluno precisa ler, interpretar e resolvê-las?
Portanto, reforço que, quando se tem uma intenção, o professor escolhe atividades qualitativas que estão de acordo com seu aluno, ajudando-o a desenvolver suas habilidades e competências.
FLÁVIA SAMPAIO
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Professauro
Na nova realidade, o professor que não se adequar, não falar a mesma língua, não contemplar tecnologias atuais e atividades que incitam o pensar, corre um grande risco de se tornar obsoleto, ultrapassado, um” professauro”.
terça-feira, 7 de abril de 2009
A temperatura das relações
Li em uma entrevista que a “temperatura das relações” influencia positiva ou negativamente a aprendizagem. Entendo que, para que as relações humanas sejam saudáveis, deve-se investir na qualidade de tais, aumentando momentos de diálogo, prazer, escuta e aceitação.
Insisto que, no mundo atual, a qualidade das relações deve ser estimulada e que o nó destas relações está pautado numa educação que desconsidera o poder da convivência.
Para conviver abrimos mão do monólogo que impera em nossa existência, do narcisismo que, mesmo inconsciente, faz-nos sentir mais importantes, mais inteligentes, mais bonitos que o outro... Ou, não aceitamos as diferenças: de pensamentos, de atitudes, de gostos, de raças, de religiões... Enfim, para conviver devemos considerar o outro em toda a sua singularidade e respeitá-lo como ser único.
Desta forma, com respeito, a temperatura das relações aumenta, cresce, sobe e, conseqüentemente, sua qualidade também.
Em uma relação, em que um dos lados desconhece ou desconsidera a importância de investimentos qualitativos, a tendência natural é um esfriamento da mesma, ou seja, uma queda da temperatura.
Quantas vezes ouvimos estes comentários:
“ Devo agir de forma fria e calculista.” ou
“ Fulano foi muito frio ao falar sobre o Ciclano.” ou ainda
“ Devo ser fria para resolver tal situação.”
Esta queda da temperatura relacional demonstra pouco envolvimento entre os pares, desrespeito pelo outro e sonegação e trancamento das emoções, impedindo que as mesmas deixem de fazer parte da relação.
Na sala de aula, o professor que investe na qualidade da relação com seu aluno, promovendo o aquecimento da temperatura desta relação, oportuniza que sentimentos de segurança e coragem aflorem e circulem e, assim, sentindo-se seguro o aluno arrisca-se a investir em si mesmo, confiando em seu professor e nos amigos do grupo, podendo errar, mas sabendo que seu erro será respeitado e usado para seu crescimento. Enfim, arrisca-se a aprender.
Que todos nós possamos aumentar a temperatura de nossas relações!!!
Insisto que, no mundo atual, a qualidade das relações deve ser estimulada e que o nó destas relações está pautado numa educação que desconsidera o poder da convivência.
Para conviver abrimos mão do monólogo que impera em nossa existência, do narcisismo que, mesmo inconsciente, faz-nos sentir mais importantes, mais inteligentes, mais bonitos que o outro... Ou, não aceitamos as diferenças: de pensamentos, de atitudes, de gostos, de raças, de religiões... Enfim, para conviver devemos considerar o outro em toda a sua singularidade e respeitá-lo como ser único.
Desta forma, com respeito, a temperatura das relações aumenta, cresce, sobe e, conseqüentemente, sua qualidade também.
Em uma relação, em que um dos lados desconhece ou desconsidera a importância de investimentos qualitativos, a tendência natural é um esfriamento da mesma, ou seja, uma queda da temperatura.
Quantas vezes ouvimos estes comentários:
“ Devo agir de forma fria e calculista.” ou
“ Fulano foi muito frio ao falar sobre o Ciclano.” ou ainda
“ Devo ser fria para resolver tal situação.”
Esta queda da temperatura relacional demonstra pouco envolvimento entre os pares, desrespeito pelo outro e sonegação e trancamento das emoções, impedindo que as mesmas deixem de fazer parte da relação.
Na sala de aula, o professor que investe na qualidade da relação com seu aluno, promovendo o aquecimento da temperatura desta relação, oportuniza que sentimentos de segurança e coragem aflorem e circulem e, assim, sentindo-se seguro o aluno arrisca-se a investir em si mesmo, confiando em seu professor e nos amigos do grupo, podendo errar, mas sabendo que seu erro será respeitado e usado para seu crescimento. Enfim, arrisca-se a aprender.
Que todos nós possamos aumentar a temperatura de nossas relações!!!
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Aluno pensante
Participei de uma palestra à qual o palestrante falava sobre a formação de um sujeito crítico, pensante, atuante, ator principal de sua história.
É de longa data tal afirmação... Não é uma fala atual, inovadora. Nós, educadores, realmente queremos que nossos alunos, ao passarem por um período de formação que é o período escolar, saiam capacitados para viver sua cidadania com plenitude, que saiam pensantes por si só, que consigam entender nas entrelinhas, que interpretem fatos de seu cotidiano com clareza e desenvoltura, que tenham acesso às novas tecnologias e filtrem o que é relevante para sua vida.
Isto é fato! Realmente é o que todos nós queremos. Mas, infelizmente, não sabemos como lidar com este novo aluno que quer isto tudo, que participa ativamente da vida e da realidade.
Queremos que o aluno seja pensante e crítico, mas, quando ele fala sobre sua experiência ou um fato ocorrido em seu dia a dia, rapidamente o cortamos, pois aquela não é a hora de falar... E qual será a hora? Qual é a hora do aluno falar e não do professor?
O Profº. Júlio Furtado, mestre em Educação, elencou em uma de suas numerosas palestras que professor tem mania de falar, de explicar, de ensinar, impedindo que o aluno fale e aprenda. Ele não oportuniza situações em que o aluno, através de sua interação com os demais, sua fala e a conexão com as estruturas de pensamento produza aprendizagem, construa conhecimento. Infelizmente, talvez o professor nem saiba disto, o professor ensina e o aluno não aprende, pois não ocorreu uma construção. O conhecimento veio verticalmente, como uma verdade absoluta, impedindo que o aluno a testasse, analisasse com suas aprendizagens prévias e as conectasse a estas.
Se queremos um cidadão atuante, pleno, temos que investir na formação de nossos alunos hoje, agora, propondo atividades significativas, instigadoras, que estimulem o pensar e o agir. Precisamos investir na fala, no pensamento... Para isto, devemos instigar o aluno com situações que favoreçam a socialização de saberes como o trabalho em grupo, a construção, o diálogo e a escuta.
FLÁVIA SAMPAIO
É de longa data tal afirmação... Não é uma fala atual, inovadora. Nós, educadores, realmente queremos que nossos alunos, ao passarem por um período de formação que é o período escolar, saiam capacitados para viver sua cidadania com plenitude, que saiam pensantes por si só, que consigam entender nas entrelinhas, que interpretem fatos de seu cotidiano com clareza e desenvoltura, que tenham acesso às novas tecnologias e filtrem o que é relevante para sua vida.
Isto é fato! Realmente é o que todos nós queremos. Mas, infelizmente, não sabemos como lidar com este novo aluno que quer isto tudo, que participa ativamente da vida e da realidade.
Queremos que o aluno seja pensante e crítico, mas, quando ele fala sobre sua experiência ou um fato ocorrido em seu dia a dia, rapidamente o cortamos, pois aquela não é a hora de falar... E qual será a hora? Qual é a hora do aluno falar e não do professor?
O Profº. Júlio Furtado, mestre em Educação, elencou em uma de suas numerosas palestras que professor tem mania de falar, de explicar, de ensinar, impedindo que o aluno fale e aprenda. Ele não oportuniza situações em que o aluno, através de sua interação com os demais, sua fala e a conexão com as estruturas de pensamento produza aprendizagem, construa conhecimento. Infelizmente, talvez o professor nem saiba disto, o professor ensina e o aluno não aprende, pois não ocorreu uma construção. O conhecimento veio verticalmente, como uma verdade absoluta, impedindo que o aluno a testasse, analisasse com suas aprendizagens prévias e as conectasse a estas.
Se queremos um cidadão atuante, pleno, temos que investir na formação de nossos alunos hoje, agora, propondo atividades significativas, instigadoras, que estimulem o pensar e o agir. Precisamos investir na fala, no pensamento... Para isto, devemos instigar o aluno com situações que favoreçam a socialização de saberes como o trabalho em grupo, a construção, o diálogo e a escuta.
FLÁVIA SAMPAIO
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Os valores estão deturpados... pais, filhos e professores estão sem saber o que é pertinente a cada um!