Aprendizagem pautada em valores humanos e afeto
Vivemos o culto ao mundo visório e efêmero. Abandonamos a busca pelas relações humanas que propiciam o saber que examina, questiona e emancipa. Neste contexto bem elaborado do mundo capitalista-explorador-mercantilista, a educação, assim como todas as virtudes humanas, que nos traduzem como ser em essência, se transforma no que querem que ela seja. Esta transformação intencional dá sentido ao projeto de mundo customizado, onde tudo ganha ou perde valor. A escola expressa essas relações de poder e valor estabelecidos na sociedade. Nesta visão mercantilista-utilitarista, o que não é mais lucrativo é deixado de lado, abandona-se projetos (cria-se a desigualdade). É o que vemos acontecer na África, Afeganistão, Índia, Paquistão, Iraque e tantos outros países.
Vivemos hoje a crise da razão, da identidade do Sujeito Soberano nos seus diferentes lugares e papeis sociais: pai, amigo, irmão, filho, vizinho, colega, médico, professor, aluno, policial, político, ... São diferentes as identidades do Sujeito Soberano nos países dilacerados pela exploração econômica? Perdemos os referenciais da razão, do que nos define como Ser em essência e Sujeitos em construção.
Vivemos diferentes radicalismos no mundo, seja religioso ou político. A imagem do Ser Sujeito no convívio em sociedade está cada vez mais turvas e desfocada.
Nosso grande desafio como professores será propor uma profunda reflexão sobre como educar frente a falta de Razão. Somos duplamente devedores da tradição que se traduz em nossas falas e práticas em sala de aula. Somos devedores na falta de aprofundamento de questões filosóficas. A escola não propicia estas discussões. Devemos também porque como professores muitas vezes não queremos aprofundar estes debates. Nossa formação na graduação não dá conta de aprofundar o debate sobre as diferentes tendências de educação. Estes temas tangenciam o universo da escola, muitas vezes não passam da mesa de cafezinho e da reclamação de alguns professores.
Enquanto a escola e professores não discutirem suas concepções de educação e a sua origem filosófica não teremos terreno para uma discussão maior com a sociedade. É preciso que a discussão inicie e se fortaleça nos espaços pedagógicos para que tenha força e seja discutida com a sociedade como um todo e se traduza em um projeto social de educação emancipadora.
Estamos perdendo nossos referenciais éticos, a consciência da existência da Razão e do Sujeito Soberano que habita cada um de nós e a importância destes valores no convívio social.
É preciso construir na escola mais que ensino. Precisamos investir na aprendizagem significativa, na mediação intencional pautada em valores humanos e no afeto entre professor e alunos, como propõe Flávia Sampaio em seu texto: “Critérios para uma Aprendizagem Significativa”.
José Antônio - Técnico em Educação - Porto Alegre/RS
Pedagoga com ênfase nos anos iniciais do Ensino Fundamental, Especialista em Gestão Escolar Administrativa e Pedagógica, Especialista em Intervenção Cognitiva e Aprendizagem Mediada pelo ICELP-The International Center for the Enhancement of Learning Potential de Jerusalém, Mediadora do Programa de Enriquecimento Instrumental - PEI 1,2 e 3, Orientadora Pedagógica, Professora, Colunista de Jornal e Pesquisadora.
domingo, 30 de agosto de 2009
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Critérios para uma aprendizagem significativa
Diante de muitas, qual seria a função básica e essencial da escola? Sem falar na social, relacional, familiar... A função essencial da escola é a de ensinar. E como tem se tentado fazer isto!
Nunca debateu-se e investiu-se tanto em educação como agora! Nunca a educação foi tão vista, discutida, avaliada e analisada.
Para muitas crianças e jovens a escola é um lugar chato, de perda de tempo e descontextualizado da realidade. Não diferente, muitos professores queixam-se da apatia e pouca vontade dos alunos para aprender, se envolver nas aulas, produzir, criar...
Os alunos recebem de material escolar a “passe grátis” no transporte coletivo; de livros didáticos a uniformes; de almoço ou merenda (supervisionada por nutricionistas) a programas de incentivo (Bolsa Escola, Bolsa Família...).
Então, teoricamente temos um nível bem elevado de aprendizagem?
Infelizmente não! Algo se perdeu, não se encaixou, faltou.
Analisando a situação educacional escolar entende-se que, muitos são os fatores relevantes e essenciais para que o objetivo da escola seja atingido. Primeiramente, a criação e manutenção do vínculo afetivo entre professor e aluno precisa ser estimulada, pois quando este elo é construído, o aluno sente-se confiante e seguro para participar, expôr suas ideias, dúvidas e opiniões, num ambiente em que a segurança impera, o professor, também, trabalhará com mais prazer e vontade, pois sente a reciprocidade dos alunos.
Também a qualidade da mediação desenvolvida em sala de aula é outro fator essencial para que a aprendizagem ocorra, bem como o reconhecimento das fases do desenvolvimento humano. O professor que reconhece o aluno em todos os estágios e fases de seu desenvolvimento planejará sua mediação de acordo com tais, atuando de forma a envolver este aluno, a ajudá-lo a construir seu conhecimento com significância e critérios.
Este professor mediador promoverá uma aprendizagem significativa, pois tendo sua atuação embasada, planejada, provocará no aluno o desafio e o sentimento de necessidade (de estar junto, de se envolver, de participar, de aprender mais, de demonstrar o que aprendeu... ).
Outro fator primordial é a disciplina ou a ausência dela. Etimologicamente, disciplina vem da palavra “discípulo”, “aquele que aprende”. Portanto, percebe-se que disciplina está ligada à aprendizagem: para aprender é necessário disciplina ou um ambiente disciplinado.
A disciplina é uma construção cotidiana entre professor e alunos. Não é algo imposto verticalmente, nem de forma arbitrária.
Quando há uma junção dos outros fatores citados (vínculo afetivo e uma mediação de qualidade ) a disciplina flui, acontece na calma e na paz, sem alarde. O problema é que muitas vezes um dos fatores não foi bem construído, o professor não percebe esta fragilidade e tenta impor uma disciplina falsa, que não foi construída, sem significado.
Quando unimos estes fatores, nossa atuação fica rica, prazerosa, estimulante para nós professores e para nossos alunos, e a aprendizagem acontece, atendendo o objetivo primordial da escola, que é que os alunos aprendam.
FLÁVIA SAMPAIO
Nunca debateu-se e investiu-se tanto em educação como agora! Nunca a educação foi tão vista, discutida, avaliada e analisada.
Para muitas crianças e jovens a escola é um lugar chato, de perda de tempo e descontextualizado da realidade. Não diferente, muitos professores queixam-se da apatia e pouca vontade dos alunos para aprender, se envolver nas aulas, produzir, criar...
Os alunos recebem de material escolar a “passe grátis” no transporte coletivo; de livros didáticos a uniformes; de almoço ou merenda (supervisionada por nutricionistas) a programas de incentivo (Bolsa Escola, Bolsa Família...).
Então, teoricamente temos um nível bem elevado de aprendizagem?
Infelizmente não! Algo se perdeu, não se encaixou, faltou.
Analisando a situação educacional escolar entende-se que, muitos são os fatores relevantes e essenciais para que o objetivo da escola seja atingido. Primeiramente, a criação e manutenção do vínculo afetivo entre professor e aluno precisa ser estimulada, pois quando este elo é construído, o aluno sente-se confiante e seguro para participar, expôr suas ideias, dúvidas e opiniões, num ambiente em que a segurança impera, o professor, também, trabalhará com mais prazer e vontade, pois sente a reciprocidade dos alunos.
Também a qualidade da mediação desenvolvida em sala de aula é outro fator essencial para que a aprendizagem ocorra, bem como o reconhecimento das fases do desenvolvimento humano. O professor que reconhece o aluno em todos os estágios e fases de seu desenvolvimento planejará sua mediação de acordo com tais, atuando de forma a envolver este aluno, a ajudá-lo a construir seu conhecimento com significância e critérios.
Este professor mediador promoverá uma aprendizagem significativa, pois tendo sua atuação embasada, planejada, provocará no aluno o desafio e o sentimento de necessidade (de estar junto, de se envolver, de participar, de aprender mais, de demonstrar o que aprendeu... ).
Outro fator primordial é a disciplina ou a ausência dela. Etimologicamente, disciplina vem da palavra “discípulo”, “aquele que aprende”. Portanto, percebe-se que disciplina está ligada à aprendizagem: para aprender é necessário disciplina ou um ambiente disciplinado.
A disciplina é uma construção cotidiana entre professor e alunos. Não é algo imposto verticalmente, nem de forma arbitrária.
Quando há uma junção dos outros fatores citados (vínculo afetivo e uma mediação de qualidade ) a disciplina flui, acontece na calma e na paz, sem alarde. O problema é que muitas vezes um dos fatores não foi bem construído, o professor não percebe esta fragilidade e tenta impor uma disciplina falsa, que não foi construída, sem significado.
Quando unimos estes fatores, nossa atuação fica rica, prazerosa, estimulante para nós professores e para nossos alunos, e a aprendizagem acontece, atendendo o objetivo primordial da escola, que é que os alunos aprendam.
FLÁVIA SAMPAIO
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Educação para o século XXI
Participei de uma fala em que a professora explanava sobre a preparação dos docentes para a educação do século XXI que, segundo a mesma, é holística, transcendental.
Esta educação é global, e não somente cognitiva, abordando os aspectos inteligíveis do ser humano, ou os aspectos mensuráveis do currículo.
Educação global para que possa atender e formar o sujeito integralmente, em todos os aspectos, sejam físicos, afetivos, relacionais e sociais...
Esta educação deve priorizar a formação do sujeito para viver e conviver com seu semelhante de forma harmoniosa, respeitando-o e respeitando-se, valorizando-o e valorizando-se.
Hoje vemos jovens que não sabem conviver, não aceitam opiniões divergentes das suas, não interagem com o outro, são agressivos nas ações e nas falas. É uma pena!
O que percebe, é a grande quantidade de conteúdos curriculares que é trabalhada com o aluno, mas este até assimilou e não sabe onde, como e quando usá-los. Isto é o resultado de uma educação bancária, conforme apregoava nosso querido Paulo Freire.
Percebe-se que, se priorizar os valores, os sentimentos, a convivência, o “saber-fazer” virá, acontecerá na interação com o professor, com o amigo mais próximo ou com o grupo, e aí, este será mais vivo, mais útil, mais prazeroso.
Esta construção o ajudará ouvir, aceitar e entender o outro, sendo, também, ouvido, aceitado e entendido pelo mesmo, bem como respeitado por ele. Isto é convivência! Isto é construção do conhecimento harmoniosa. Isto é educação para a sensibilidade e para o século XXI.
FLÁVIA SAMPAIO
Esta educação é global, e não somente cognitiva, abordando os aspectos inteligíveis do ser humano, ou os aspectos mensuráveis do currículo.
Educação global para que possa atender e formar o sujeito integralmente, em todos os aspectos, sejam físicos, afetivos, relacionais e sociais...
Esta educação deve priorizar a formação do sujeito para viver e conviver com seu semelhante de forma harmoniosa, respeitando-o e respeitando-se, valorizando-o e valorizando-se.
Hoje vemos jovens que não sabem conviver, não aceitam opiniões divergentes das suas, não interagem com o outro, são agressivos nas ações e nas falas. É uma pena!
O que percebe, é a grande quantidade de conteúdos curriculares que é trabalhada com o aluno, mas este até assimilou e não sabe onde, como e quando usá-los. Isto é o resultado de uma educação bancária, conforme apregoava nosso querido Paulo Freire.
Percebe-se que, se priorizar os valores, os sentimentos, a convivência, o “saber-fazer” virá, acontecerá na interação com o professor, com o amigo mais próximo ou com o grupo, e aí, este será mais vivo, mais útil, mais prazeroso.
Esta construção o ajudará ouvir, aceitar e entender o outro, sendo, também, ouvido, aceitado e entendido pelo mesmo, bem como respeitado por ele. Isto é convivência! Isto é construção do conhecimento harmoniosa. Isto é educação para a sensibilidade e para o século XXI.
FLÁVIA SAMPAIO
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Escola e educação
“Nunca deixei que o período que passei na escola interferisse na minha educação.”
Esta citação de Mark Twain, foi extraída da obra de Claiton da Costa, de Porto Alegre, remeteu-me a várias indagações sobre o que é escola, sua função social e sobre o que é educação.
No mundo globalizado em que vivemos, em que tudo é rápido, em que a leitura, a escrita e os cálculos são pré-requisitos essenciais para que o indivíduo esteja “educado” ou apto para viver na sociedade, deve-se entender que educação e escola são conceitos distintos? O período escolar não é um período de promoção da educação? O que é educação, então?
Se procurarmos na literatura, muitos serão os conceitos difundidos e apregoados. Mas, discutiremos educação sobre a ótica do autor.
Em sua perspectiva, percebe-se que a escola é o lugar para o conhecimento científico, para a aprendizagem sistematizada de conteúdos historicamente construídos e, reproduzidos cotidiana e rotineiramente.
Pode-se pensar, também, sobre a educação construída com a junção dos fatores sociais, psicológicos, afetivos e éticos, e que o indivíduo, ao ingressar na escola, acaba por tê-los menosprezados ou ignorados. Infelizmente!
A escola prioriza os fatores cognitivos em oposição aos citados e tantos outros; desconhece ou desconsidera que a pessoa é formada por eles e, que as situações vivenciadas em todos os ambientes contribuem para que a educação aconteça.
Que os conhecimentos escolares não contemplam o ser integralmente, já o sabemos.
A escola, ainda, percebe o indivíduo de uma forma fragmentada, ora trabalhando aspectos cognitivos, ora sociais, em disciplinas estanques dissociadas do conhecimento de mundo ou ministradas sem significância. Quantas vezes, vemos assuntos e/ou conteúdos que não sabemos onde os usaremos.
Lembro-me de um aluno que passava de série em série, e todos os professores relatavam: hiperativo, com déficit de atenção, sem limites, importunava o bom andamento das aulas com perguntas às quais tais professores não sabiam respondê-las, além de totalmente fora do momento na sala de aula...
Qual não foi minha surpresa quando este aluno chegou a mim! Menino brilhante, participativo, questionador, crítico. Muito diferente do estigma que lhe foi imposto.
A cada conteúdo apresentado, ele só perguntava: “Por que devo aprender isto?” ou “Por que você está ensinando isto?”
Então, ele recebia a resposta sobre a relevância do assunto apresentado e participava ativamente das aulas, com questionamentos pertinentes ou colaborava com fatos ocorridos que poderiam ser colocados em pauta, tornando a aprendizagem significativa. A aula ficava rica!
Este aluno não permitiu que a escola atrapalhasse sua educação... Ele fez mais: uniu o que já havia sido construído aos conhecimentos escolares. Nem mais este, nem mais aquele.
Então, pergunto: por que é tão difícil esta união? Por que não se percebe o que o aluno traz para, a partir daí promover a aprendizagem, melhorando a qualidade da educação, bem como criar e manter uma interação entre os indivíduos onde o respeito e harmonia estejam presentes.
Esta citação de Mark Twain, foi extraída da obra de Claiton da Costa, de Porto Alegre, remeteu-me a várias indagações sobre o que é escola, sua função social e sobre o que é educação.
No mundo globalizado em que vivemos, em que tudo é rápido, em que a leitura, a escrita e os cálculos são pré-requisitos essenciais para que o indivíduo esteja “educado” ou apto para viver na sociedade, deve-se entender que educação e escola são conceitos distintos? O período escolar não é um período de promoção da educação? O que é educação, então?
Se procurarmos na literatura, muitos serão os conceitos difundidos e apregoados. Mas, discutiremos educação sobre a ótica do autor.
Em sua perspectiva, percebe-se que a escola é o lugar para o conhecimento científico, para a aprendizagem sistematizada de conteúdos historicamente construídos e, reproduzidos cotidiana e rotineiramente.
Pode-se pensar, também, sobre a educação construída com a junção dos fatores sociais, psicológicos, afetivos e éticos, e que o indivíduo, ao ingressar na escola, acaba por tê-los menosprezados ou ignorados. Infelizmente!
A escola prioriza os fatores cognitivos em oposição aos citados e tantos outros; desconhece ou desconsidera que a pessoa é formada por eles e, que as situações vivenciadas em todos os ambientes contribuem para que a educação aconteça.
Que os conhecimentos escolares não contemplam o ser integralmente, já o sabemos.
A escola, ainda, percebe o indivíduo de uma forma fragmentada, ora trabalhando aspectos cognitivos, ora sociais, em disciplinas estanques dissociadas do conhecimento de mundo ou ministradas sem significância. Quantas vezes, vemos assuntos e/ou conteúdos que não sabemos onde os usaremos.
Lembro-me de um aluno que passava de série em série, e todos os professores relatavam: hiperativo, com déficit de atenção, sem limites, importunava o bom andamento das aulas com perguntas às quais tais professores não sabiam respondê-las, além de totalmente fora do momento na sala de aula...
Qual não foi minha surpresa quando este aluno chegou a mim! Menino brilhante, participativo, questionador, crítico. Muito diferente do estigma que lhe foi imposto.
A cada conteúdo apresentado, ele só perguntava: “Por que devo aprender isto?” ou “Por que você está ensinando isto?”
Então, ele recebia a resposta sobre a relevância do assunto apresentado e participava ativamente das aulas, com questionamentos pertinentes ou colaborava com fatos ocorridos que poderiam ser colocados em pauta, tornando a aprendizagem significativa. A aula ficava rica!
Este aluno não permitiu que a escola atrapalhasse sua educação... Ele fez mais: uniu o que já havia sido construído aos conhecimentos escolares. Nem mais este, nem mais aquele.
Então, pergunto: por que é tão difícil esta união? Por que não se percebe o que o aluno traz para, a partir daí promover a aprendizagem, melhorando a qualidade da educação, bem como criar e manter uma interação entre os indivíduos onde o respeito e harmonia estejam presentes.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
A responsabilidade dos valores: a quem compete?
A responsabilidade dos valores: a quem compete?
A percepção da existência do outro é algo imprescindível para uma convivência saudável.
Buscamos sempre inferir no outro a nossa existência, o nosso desejo, o nosso saber... Afinal, ele precisa entender o que pensamos e sentimos!!
Na contemporaneidade o que se espera é a tolerância e o respeito pelo outro; é aceitá-lo com suas virtudes ou não, suas vontades, seus desejos, seus saberes e assim, fomentar uma troca.
Vivemos basicamente de trocas: de palavras, de olhares, de gestos, de significados e, de tolerância. Tolerar ( do latim tolerare, sofrer, suportar ) não é algo negativo, que nos remete ao sofrimento. Pelo contrário, tolerar é a percepção do outro e, conseqüentemente, a sua por nós.
A tolerância é uma virtude que nos permite estabelecer relações sociais pautadas no respeito e confiança, não molestando ou agredindo quem se encontra ao nosso lado, mesmo apresentando pensamentos que diferem dos nossos.
É através dela que focamos a ação produzida e não o sujeito que a produz, ouvimos e respeitamos sua posição de uma forma assertiva. Enfim, aprendemos a conviver!
E é no primeiro grupo social, a família, que se começa a introduzir o conceito desta virtude, propondo aceitação às diferenças, aos pensamentos e ações, ouvindo e interagindo com os demais, tolerando e sendo tolerados por eles.
Mas, percebemos que as famílias estão desestruturadas no quesito “valores”, por vários motivos: divórcio, instabilidade ou brigas conjugais, falta de quantidade e qualidade do tempo destas com seus filhos, despreparo emocional, falta de autoridade... E, assim, acabam por incumbir à escola a missão de educar seus filhos, dar limites, afeto, atenção e educação sistematizada, preparando-os para viver sua cidadania de forma estruturada e feliz.
Com tal cenário familiar, os alunos se encontram sem referencial, sem base e sem limites, agredindo professores e amigos de classe. Por outro lado, os pais se encontram “perdidos” por não saberem o que fazer para que seus filhos vivam e convivam bem, ou onde “erraram” na formação destes, visto que trabalham muito e dão muitos bens materiais.
Materialmente, as crianças têm tudo o que necessitam para crescerem fisicamente saudáveis, mas psicológica e socialmente ainda falta. Ainda faltam momentos familiares de ouvir, de conversar, de expôr idéias, sonhos e valores, tão fundamentais para uma convivência harmoniosa e feliz.
Compete às famílias em conjunto com a escola, a formação do aluno para conviver num mundo em que a tolerância, o respeito mútuo, a confiança, a solidariedade se façam presentes.
Para que estes valores se estabeleçam nas situações sociais cotidianas, é necessário que a quantidade do tempo que a famílias passem com seus filhos sejam de qualidade, de afinidade, de diálogo; que estas supram a carência emocional com que nossas crianças convivem neste novo tempo, orientando e escutando, bem como firmar parceria com a escola a fim de promover a formação destas crianças com base nos valores morais, éticos e de convivência saudável.
A percepção da existência do outro é algo imprescindível para uma convivência saudável.
Buscamos sempre inferir no outro a nossa existência, o nosso desejo, o nosso saber... Afinal, ele precisa entender o que pensamos e sentimos!!
Na contemporaneidade o que se espera é a tolerância e o respeito pelo outro; é aceitá-lo com suas virtudes ou não, suas vontades, seus desejos, seus saberes e assim, fomentar uma troca.
Vivemos basicamente de trocas: de palavras, de olhares, de gestos, de significados e, de tolerância. Tolerar ( do latim tolerare, sofrer, suportar ) não é algo negativo, que nos remete ao sofrimento. Pelo contrário, tolerar é a percepção do outro e, conseqüentemente, a sua por nós.
A tolerância é uma virtude que nos permite estabelecer relações sociais pautadas no respeito e confiança, não molestando ou agredindo quem se encontra ao nosso lado, mesmo apresentando pensamentos que diferem dos nossos.
É através dela que focamos a ação produzida e não o sujeito que a produz, ouvimos e respeitamos sua posição de uma forma assertiva. Enfim, aprendemos a conviver!
E é no primeiro grupo social, a família, que se começa a introduzir o conceito desta virtude, propondo aceitação às diferenças, aos pensamentos e ações, ouvindo e interagindo com os demais, tolerando e sendo tolerados por eles.
Mas, percebemos que as famílias estão desestruturadas no quesito “valores”, por vários motivos: divórcio, instabilidade ou brigas conjugais, falta de quantidade e qualidade do tempo destas com seus filhos, despreparo emocional, falta de autoridade... E, assim, acabam por incumbir à escola a missão de educar seus filhos, dar limites, afeto, atenção e educação sistematizada, preparando-os para viver sua cidadania de forma estruturada e feliz.
Com tal cenário familiar, os alunos se encontram sem referencial, sem base e sem limites, agredindo professores e amigos de classe. Por outro lado, os pais se encontram “perdidos” por não saberem o que fazer para que seus filhos vivam e convivam bem, ou onde “erraram” na formação destes, visto que trabalham muito e dão muitos bens materiais.
Materialmente, as crianças têm tudo o que necessitam para crescerem fisicamente saudáveis, mas psicológica e socialmente ainda falta. Ainda faltam momentos familiares de ouvir, de conversar, de expôr idéias, sonhos e valores, tão fundamentais para uma convivência harmoniosa e feliz.
Compete às famílias em conjunto com a escola, a formação do aluno para conviver num mundo em que a tolerância, o respeito mútuo, a confiança, a solidariedade se façam presentes.
Para que estes valores se estabeleçam nas situações sociais cotidianas, é necessário que a quantidade do tempo que a famílias passem com seus filhos sejam de qualidade, de afinidade, de diálogo; que estas supram a carência emocional com que nossas crianças convivem neste novo tempo, orientando e escutando, bem como firmar parceria com a escola a fim de promover a formação destas crianças com base nos valores morais, éticos e de convivência saudável.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
A EDUCAÇÃO NA SOCIEDADE DE INFORMAÇÃO
“No meu tempo não era assim.”
“Esta juventude está perdida.”
“Todos sentados e em silêncio.”
“Já não sei o que fazer para chamar a atenção deles.”
Estas são falas de professores ao longo do tempo ao se depararem com suas respectivas salas de aula e encontrarem seus alunos de uma maneira que não era esperada: falantes, agitados, andando, movimentando...
O alunado mudou, lógico, pois o mundo mudou.
A sociedade de informação ampliou sua abrangência tão rapidamente quanto a velocidade da veiculação das notícias. Atualmente, um acontecimento no Japão, Rússia, Turquia e até na Lua chega até nós em milésimos de segundos!
Estamos num novo tempo, o tempo do Orkut, do MSN, dos Blogs, dos e-mails, da banda larga...
Com toda certeza, a docência de tempos atrás não é a mesma de hoje, o acesso à informática e aos meios de comunicação de massa não acontecia com tanta facilidade.
A todo momento, os alunos são seduzidos com os apelos da mídia: modo de vestir, andar, falar, costumes, gírias, comportamentos e tiques; e o papel da educação não é ( e nem tem como ) impedir o acesso a tudo isto, mas fornecer ao aluno subsídios para que ele possa filtrar o que é realmente relevante para seu crescimento. E, neste quesito, a escola perde, pois esta cobra memorização e “decoreba” e, procura formar um sujeito “reprodutivo” totalmente descontextualizado da realidade.
A escola se apresenta atada à metodologias que não promovem a motivação, ao querer saber mais, ao gosto pela descoberta; esquecendo-se de ajudar na formação de sujeitos críticos, atuantes e autônomos que selecionam o que querem assistir e falar.
A escola preza os conteúdos culturalmente pré-determinados, e não recebe nem valoriza o conhecimento de mundo que o aluno traz, para, a partir dele, ajudar este aluno em seu processo de aprendizagem, interagindo e mediando a construção de seu conhecimento.
Entretanto, para que a escola tenha êxito nesta nova época, os alunos devem ser estimulados a “aprender a aprender”, a analisar o que é recebido e avaliar sua relevância. Neste enfoque, o papel do professor é de estimular a busca da informação, tratá-la e orientar sobre onde e como utilizá-la. E, quando há na relação um vínculo afetivo estabelecido entre os atores participantes, professor e aluno, este recebe sentimentos de segurança, confiança e coragem e se arrisca a socializar suas descobertas e dúvidas com o professor e os demais membros do grupo, para juntos, decidirem o que é relevante em sua formação.
flávia sampaio
“Esta juventude está perdida.”
“Todos sentados e em silêncio.”
“Já não sei o que fazer para chamar a atenção deles.”
Estas são falas de professores ao longo do tempo ao se depararem com suas respectivas salas de aula e encontrarem seus alunos de uma maneira que não era esperada: falantes, agitados, andando, movimentando...
O alunado mudou, lógico, pois o mundo mudou.
A sociedade de informação ampliou sua abrangência tão rapidamente quanto a velocidade da veiculação das notícias. Atualmente, um acontecimento no Japão, Rússia, Turquia e até na Lua chega até nós em milésimos de segundos!
Estamos num novo tempo, o tempo do Orkut, do MSN, dos Blogs, dos e-mails, da banda larga...
Com toda certeza, a docência de tempos atrás não é a mesma de hoje, o acesso à informática e aos meios de comunicação de massa não acontecia com tanta facilidade.
A todo momento, os alunos são seduzidos com os apelos da mídia: modo de vestir, andar, falar, costumes, gírias, comportamentos e tiques; e o papel da educação não é ( e nem tem como ) impedir o acesso a tudo isto, mas fornecer ao aluno subsídios para que ele possa filtrar o que é realmente relevante para seu crescimento. E, neste quesito, a escola perde, pois esta cobra memorização e “decoreba” e, procura formar um sujeito “reprodutivo” totalmente descontextualizado da realidade.
A escola se apresenta atada à metodologias que não promovem a motivação, ao querer saber mais, ao gosto pela descoberta; esquecendo-se de ajudar na formação de sujeitos críticos, atuantes e autônomos que selecionam o que querem assistir e falar.
A escola preza os conteúdos culturalmente pré-determinados, e não recebe nem valoriza o conhecimento de mundo que o aluno traz, para, a partir dele, ajudar este aluno em seu processo de aprendizagem, interagindo e mediando a construção de seu conhecimento.
Entretanto, para que a escola tenha êxito nesta nova época, os alunos devem ser estimulados a “aprender a aprender”, a analisar o que é recebido e avaliar sua relevância. Neste enfoque, o papel do professor é de estimular a busca da informação, tratá-la e orientar sobre onde e como utilizá-la. E, quando há na relação um vínculo afetivo estabelecido entre os atores participantes, professor e aluno, este recebe sentimentos de segurança, confiança e coragem e se arrisca a socializar suas descobertas e dúvidas com o professor e os demais membros do grupo, para juntos, decidirem o que é relevante em sua formação.
flávia sampaio
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Os valores estão deturpados... pais, filhos e professores estão sem saber o que é pertinente a cada um!